quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Titã Sim Bionico : o que poderia ser um revival do super robô na animação ocidental...

O diretor russo-americano Genndy Tartakovski é bem conhecido por suas animações de ação. Depois de despontar no Cartoon Network com o Laboratório de Dexter, e ser um dos "pais" de As Meninas Super poderosas, inovou no ballet frenético de ação de Samurai Jack, e na carga literalmente explosiva de Clone Wars, mostrando que dava sim para fazer boas sequências, em um desenho para a TV, sem ter que apelar para "linhas de ação" e uma ilusão de movimento.



No ano passado, Tartakovski resurgiu triunfante com "Titã Sim Bionico", uma série "mista de drama escolar e ação de robôs gigantes", obra em que combina o melhor de Samurai Jack e Clone Wars, com o humor surreal de Laboratório de Dexter, ambas na medida ideal. Infelizmente, no começo deste ano a série foi cancelada por "não ter brinquedos o suficiente" - mas o Cartoon Network não fez nenhuma tentativa de emplacar produtos do desenho. O mesmo tipo de desculpa barata foi usada para o cancelamento de Chowder, demonstrando novamente que o C.N não sabe segurar suas boas séries. Como se o cancelamento mal explicado já não fosse ruim o suficiente, a série ainda acabou com mais pontas soltas do que um filme do Michael Bay - quase nada da trama principal foi resolvida, e o Titã recebeu seu primeiro "Upgrade" de verdade no último episódio..

A trama dificilmente foi "original", e "Titã..." não tinha qualquer pretensão de ser. Dois adolescentes, Illana e Lance, a princesa do planeta Galaluna e seu guarda costas, e um robô, Octus, em fuga dos malignos Mutradi se refugiam na terra, fingindo ser uma família normal. Nada de muito novo aí. Dotados de armaduras robóticas, Manus e Corus, Lance e Illana de tempos em tempos tem de combater as feras Mutradi enviadas pelo maligno general Modula. De novo, nada de especial. E em horas de crise, os dois robôs podem se combinar com Octus para formar o Titã Sim Bionico. Mais uma vez, básico do gênero.

Tartakovski abraçou as convenções de desenhos de Super Robôs, sem qualquer vergonha ou remorso. "Titã..." não tenta reinventar o gênero, não o desconstrói, nem faz piada com ele. É assumidamente um desenho de Super Robôs, com tudo o que isso implica. Ao mesmo tempo, aproveita as convenções de dramas estudantis, e insere um trio alienigena na situação, mas sem esquecer que é de fato uma dramédia escolar. Em uma das melhores sacadas da série, enquanto Illana tenta se confratenizar com seus colegas de escola, e é escarnecida, e Octus é automaticamente visto como um Nerd, Lance, que nem ao menos tenta se socializar, é instantaneamente popular, por ser "misterioso e sensual".

A qualidade da animação de "Titã..." é ótima, especialmente nas sequências mais movimentadas, como Lance fazendo parkour para seguir um ônibus, pela cidade inteira, para "proteger" Illana do perigo de... ir ao Shopping. A qualidade caí um pouco quando os Robôs estão envolvidos, pois estes são feitos em computação gráfica, mas curiosamente, o elemento que mais destoa nestas cenas tende a ser o monstro, feito em animação convencional, e vários dos monstros são um tanto "imóveis".

E destaque até para a obra de Tartakovski, "Titã..." foi a primeira série do Cartoon a lidar diretamente com a morte. Enquanto Samurai Jack despedaçava robôs, o Titã enfrenta monstros, e logo no segundo episódio temos Modula esmagando o pescoço de um soldado da resistência de Galaluna. As palavras "morrer", "mortos" e "matar" são usadas com frequência, e o primeiro episódio deixa quase explícito que Lance estava matando os soldados americanos que interceptaram a capsula de fuga.

Como de costume para as séries originais do CN, "Titã..." era uma cornucópia de referências à outras séries, filmes e quadrinhos. Lance parece com Hayato, do clássico Getter Robot, o Titã parece com uma versão melhor proporcionada e semi transparente de Gigantor, e o general humano que antagoniza o Titã é uma cópia do general Ross, do Hulk. Uma organização misteriosa voa em uma nave armada com um "Wave Motion Cannon" de Yamato, e se vestem como agentes de algum Sentai das antigas, como Jakq. E na mais estranha, o imenso chapéu do vilão, Modula, faz com que ele pareça uma versão humana e alta do Macaco Loco das Meninas Super Poderosas.

Um comentário:

  1. Olha, na boa: quando vi o episódio Fuga de Galaluna, percebi que ao meter o elenco na escola, eles desperdiçaram a chance de fazer o Star Wars da sua geração, sem brincadeira.

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