terça-feira, 24 de novembro de 2015

Reaproveitando moldes parte 1: mudando cores

Os Combaticons: um dos conjuntos de moldes
mais reutilizados da História.
Anteriormente, nós falamos de como brinquedos são projetados e desenvolvidos. Agora, dando sequência a esse tópico, uma coisa que todos devem ter notado: certos brinquedos são muito parecidos com outros. Isso se deve ao constante reaproveitamento de moldes e designs dentro da indústria.
Antes de começarem a reclamar de como as empresas de brinquedos são “mãos de vaca” e “preguiçosas”, existem duas coisas a serem ditas. A primeira é que o desenvolvimento de moldes novos é custoso e trabalhoso, especialmente a fabricação do molde em si. E a segunda é que esta prática não se restringe a empresas “comerciais”. Muitos estúdios para colecionadores reaproveitam peças e várias empresas de toyart usam um único molde centenas de vezes (Bearbrick, por exemplo) - assim como ocorre com minifiguras.

Mas como esse reuso acontece?
Serie 19 de Bearbrick: 1 molde, 10 bonecos.

Partes em comum

Um dos corpos "Truetype" da Hot Toys:
com pequenas alterações, esses corpos são
a base para a maior parte dos produtos da
empresa.
A primeira forma em que moldes são reaproveitados é através de peças planejadas para serem reaproveitadas. Um exemplo clássico é o corpo dos G.I. Joes originais, utilizado por seis anos antes de ser suplantado pelo corpo reprojetado de Adventure Team.

Ainda hoje essa é a forma mais abundante de reaproveitamento.  Ela vai desde linhas “mainstream” como LEGO, Kre-O e os eternos recicles de moldes de bonecos do Batman, até linhas voltadas para colecionadores como os Bonecos da Hot Toys e da Medicom, que utilizam o mesmo corpo base muitas vezes, um padrão em escala 1/6 - esses corpos podem ser comprados separadamente, e a linha Myth Cloth de Saint Seiya, novamente, o mesmo corpo base. Por serem tão “essenciais”, essas peças são as que tem mais chance de terem seus moldes renovados.

Esse tipo de reaproveitamento é bastante comum em figuras humanas, dado que certas partes tendem a ser bem parecidas entre uma pessoa e outra, e em certas partes recorrentes em veículos. Por exemplo, rodas - especialmente as rodas pequenas usadas em esteiras falsas. A Hasbro mantém alguns “moldes padrão” para a linha Marvel Universe e Marvel Legends, usando partes extras para modificações, com alguns retools - isso não quer dizer que todos (ou sequer a maioria) dos produtos dessas linhas sejam reciclagens, óbvio. Outra linha da mesma empresa, My Little Pony, é feita praticamente de reaproveitamento.

A velha linha Big Jim: mesmo molde para todos.

G.I. Joe é um exemplo de como peças podiam ser reaproveitadas de maneira a criar bonecos novos. Não poucos os bonecos de A Real American Hero que reutilizavam as pernas, os braços ou o tronco de outros. Os modelos de Gundam também abusam de reaproveitar certas peças: a parte superior dos braços do RX-78-2 Gundam, por exemplo, foram reutilizadas em todas as variantes do RX-78 na mesma escala, e não raro as mãos são as mesmas entre vários modelos.

Mas existem formas de reaproveitar moldes que são mais explícitas do que “partes base que serão modificadas como necessário”. a primeira é o recolor, que não envolve esforço algum, como veremos abaixo.

Repaints e recolors
Citando a infame My Little Pony, eis um exemplo: uma única
onda de minifiguras, com seis usos do mesmo molde, mudando
somente as cores.
Mudar as cores é a forma mais básica e óbvia de reaproveitar um design que já está pronto. Afinal, nenhum esforço é necessário: a única coisa a ser feita é mudar as cores do plástico ou as cores da tinta, e tudo está pronto. E curiosamente, essa é uma das formas mais incomuns de reaproveitamento.Uma mera mudança de cores é um recolor - uma mudança que envolva as cores de tinta é um repaint. Nem todos os recolors são repaints (mas como veremos na próxima parte, todas são redecos).

todos esses foram lançados com a mesma embalagem, e o mesmo código de produto. 
Muitos casos de repaints e recolors são variantes de uma figura, e não um lançamento novo. O lançamento de Geração 2 do dinobot Grimlock, por exemplo, foi lançado em azul, turquesa e cinza. O motivo dessas mudanças de cor nunca foi esclarecido, mas há centenas de casos ao longo da história; os Joes originais eram produzidos em variantes loiro, moreno, ruivo e negro, onde só mudava a cor da tinta (e do plástico, no caso do raro Joe negro).


Outros casos são personagens ou veículos “novos”, que usam não só o mesmo molde, mas o mesmo padrão de decoração do original, em cores diferentes. Um dos casos mais bizarros disso é Faker, mais conhecido como “O He-man azul”, ou Wun-darr, o “He-man moreno”. ambos usam a mesma máscara de tinta do He-man, mudando as cores (ambos contavam com acessórios diferentes, no entanto).

A curtissima linha do Motoqueiro Fantasma (1995) pela Toybiz abusou de recolors para ampliar a linha: o motoqueiro foi lançado em três variantes (jaqueta Azul, preta, e cinza) enquanto Vingança foi lançado em Roxo, Preto e Cinza, com uma quarta variante de cada para um two pack (com o motoqueiro em preto e calças cinzas, e Vingança com calça e jaqueta cinza clara).

Recolors são a coisa mais abundante em figuras do sistema Glyos, dado que cada empresa participante conta com poucos designs, estes tendem a serem lançados a cada ano em cores diferentes, sem que haja uma nova máscara de tinta, e sem mudar a distribuição de cores no plástico - embora algumas dessas recolorações sejam depois repintadas a mão - é uma linha de designer toys, afinal.

A primeira onda do Pheyden: os primeiros de muitos usos desse design, nesse padrão.

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