terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Crítica: Capitão América - O primeiro Vingador

Este fim de semana eu reassisti Capitão América: O Primeiro Vingador - estava morrendo de vontade de rever esse filme desde que terminei minha monografia (sobre toda a trajetória do Capitão América, como uma crítica às políticas e a identidade americana), e na sexta-feira, decidi comprar o DVD... Afinal, esse é o tipo de filme para se TER, não para se alugar.

Embora tenha tido muita desconfiança do filme durante a produção, o resultado final é simplesmente perfeito: são raros os filmes de quadrinhos que conseguiram capturar tão bem a essência do personagem, mesmo com certas liberdades criativas. E em sua maioria, as mudanças do filme só melhoraram a história - caí a bizarrice de Bucky Barnes como o moleque inexplicavelmente no exército, o disfarce de Rogers como um soldado atrapalhado (como todo disfarce pré Homem-Aranha, aparentemente), e a incongruência do doutor Abraham Erskine ser secretamente um Nazista (sério Marvel, WTF!?).


O que se manteve foram os bons pontos do Cap: o carisma do personagem, o discurso que, ao contrário de leituras superficiais, não tem nada de imperialista, e é claro, a quase perfeição moral do Capitão, que aqui tem uma explicação meia boca - o soro do Super-soldado melhora e intensifica TUDO na pessoa, e como coloca o doutor Erskine, bom se torna ótimo, enquanto mau se torna monstruoso. E é no Soro do Super-Soldado que a versão cinematográfica do Caveira Vermelha tem sua origem, mantendo a caracterização atual do Caveira como o "anti Cap". O personagem inteiro de Rogers é estabelecido em uma fala bem simples: "Não quero matar ninguém, só não gosto de crueldade, seja lá de que lado". Da mesma maneira, o filme escapa da lógica barata de "olhem como esses alemães são maus" em uma fala também singela, e muito forte: "As pessoas esquecem que o primeiro país que os Nazistas invadiram foi o seu próprio".

E isso tem muito em comum com a temática moderna do Capitão América: a crítica ao nacionalismo e o patriotismo cego, e a rejeição do discurso "meu país, certo ou errado". O mesmo discurso que levou Hitler ao poder está presente nos EUA até hoje, mas ao contrário do que ocorre na Alemanha, não é um discurso monolítico (embora alguns paranoicos gostem de fingir que os EUA são tipo, o terceiro Reich com esteroides, mesmo sem ter um pingo de evidência). Só é uma pena que o filme não foque no Nazismo, mas sim na Hydra - embora isso seja necessário para que o filme seja distribuído no mundo todo sem problemas (legislação alemã, por exemplo, não permite a banalização do nazismo).

Contrariando minhas expectativas, Chris Evans está excelente como o Capitão - e com o físico certo para o herói, além de surpreender no começo do filme como um Rogers pré soro, mas ainda com a coragem e a retidão do Capitão: Rogers não é bom por causa do soro, o soro só lhe deu os meios de exercer a sua virtude sem tomar umas na cara. Tommy Lee Jones rouba a cena em boa parte do filme, e a única "perna bamba" de "O primeiro vingador" acaba sendo o vilão: embora Hugo Weaving convença como o Caveira Vermelha, ainda assim está um tanto... fraco. E bizarramente, é mais assustador como Johann Schmidt do que depois de revelar o porque do nome Caveira Vermelha. Lamentável. Stanley Tucci também rouba suas poucas cenas como Abraham Erskine, aqui uma figura legitimamente trágica e simpática - e com momentos de humor, como o brinde "duplo" antes do procedimento...

E de alguma maneira, o figurino convence! A primeira roupa é tosca, mas isso se deve a ser literalmente uma fantasia publicitária, provavelmente baseada em desenhos de Rogers (vale notar como a formação dele como desenhista transparece em pequenos detalhes do filme), mas ainda assim é "engolível", sem ser camp. Já a segunda roupa, após a formação do que obviamente são os comandos selvagens (com o Dum Dum Dugan, e vários outros, mas só o Dugan já foi ótimo), é bem mais "trabalhada", mas ainda é claramente a roupa do Capitão América. Como todo filme da Marvel, está recheado de pequenos "easter eggs" ao longo do filme, como o androide Tocha Humana original (exposto na feira de tecnologia onde Rogers consegue se alistar, finalmente), a primeira cena do cientista Arnim Zola (interpretado muito bem por Toby Jones, com seu rosto aparecendo em um monitor, referencia ao "rosto no peito de tv" do doutor atualmente), e é claro, os Comandos Selvagens.


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