domingo, 1 de maio de 2016

10 das mais estranhas linhas de brinquedos dos anos 80.

Assim como Lewis “Linkara” Lovehaug faz questão de dizer sobre quadrinhos, eu tenho que dizer sobre brinquedos: brinquedos são estranhos. Na disputa pela atenção de crianças (e em tempos mais recentes, colecionadores), os fabricantes de brinquedos ocasionalmente levam em frente ideias... incomuns.


Em alguns casos, a estranheza surge apenas quando se olha para o corpo ficcional (porque a história por trás da maioria das linhas é de dar inveja a quadrinhos da Era de Prata). Em outros, os brinquedos em si são bizarros.  


Eu já escrevi sobre algumas linhas bizarras dos anos 80, mas as sortudas escolhidas para esta lista merecem destaque. Sim, elas são mais estranhas do que máscaras do poder, veículos metamorfos, ou robôs cuja cabeça é um cara. As dez linhas a seguir são o creme de la creme da esquisitice.  

10 - Rock Lords (Tonka, 1986)




Eu já falei disso no meu texto sobre Go-Bots, mas não custa repetir. O que raios se passou na cabeça dos designers da Bandai ao criar a sublinha de Machine Robo que viraria os Rock Lords eu não sei. O que se passou na cabeça dos executivos da Tonka ao comprar esses bonecos, é um mistério maior ainda. São pedras. Pedras que viram robôs. A linha contou com um filme (péssimo) e foi praticamente esquecida exceto como uma piada recorrente entre saudosistas e colecionadores de brinquedos.

9 - Super Naturals (Tonka, 1986)




Eis aqui uma linha que tinha um gimmick bem interessante... e que não sabia o que mais fazer. Assim como a mais bem sucedida (mas ainda fracassada) Visionaries da Hasbro, os bonecos de Super Naturals usavam holografia para dar a ilusão de algo místico. Mas onde os cavaleiros da Hasbro usavam isso em brasões, os guerreiros da Tonka o faziam no corpo todo. No lugar de um rosto, tinham um adesivo holográfico, parcialmente coberto por uma armadura removível. O cenário era supostamente medieval, mas um dos heróis era um guerreiro apache. E graças a mesma coisa que fazia deles algo interessante nos anos 80, hoje é quase impossível achar um Super Natural que não tenha virado uma massa de sombras envolta em um boneco.

8 - Wheeled Warriors (Mattel, 1985-1986)





Wheeled Warriors era primariamente uma linha de veículos, assim como M.A.S.K.. Onde a linha da Kenner focava em veículos “reais” que viravam máquinas fantásticas, a da Mattel envolvia tanques futuristas com  partes intercambiáveis e armas absurdas, pensados para serem combinados livremente. Com alguns dos designs mais estranhos e incompreensíveis dos anos 80, a linha tratava da heróica Lightning League contra os malignos Monster Minds. O conceito da linha foi alvo de Knockoffs diversos (muitos dos quais melhores que os originais) no começo dos anos 90. O desenho, Jayce and the Wheeled Warriors, saiu quase um ano após os brinquedos fracassarem no mercado.

7 - Dino Riders (Tyco, 1989-1990)





Dino Riders é puro awesome concentrado, com uma dose extra de “wtf” para dar gosto: no distante planeta Cellardyke, os pacíficos Valorians fugiam dos malignos Rulons. Em uma tentativa desesperada de escapar dos invasores, os Valorians usam seu “projetor espaço temporal”, levando a guerra para a Terra, 65 milhões de anos no passado! Enquanto os Valorians liderados por Questor fazem amizade com os dinossauros nativos, o Imperador Krulos dos Rulons trata de criar dispositivos de controle mental para dominar as bestas... o resultado? Duas facções em guerra, montadas em dinossauros com lasers.

6 - Food Fighters (Mattel, 1989)



Ah, food Fighters... desprovidos de articulação, os bonecos da bizarra linha da Mattel se salvam do fracasso total pelo conceito hilário: uma guerra entre itens alimentícios. A guerra entre os Kitchen Commandos liderados pelo Burgadier General, um cheesburger, e os Refrigerator Rejects comandados por Mean Weener, um cachorro quente. A linha era vendida em lojas de desconto, contou com apenas 10 figuras e três veículos, e não tinha nenhuma peça de ficção para acompanhar. Minha hipótese quanto ao porque disso existir? Resto de plástico que a Mattel não sabia como usar.


5 - Sectaurs, Warriors of Symbion (Coleco, 1985)


Sectaurs era uma linha com uma ideia interessante: no distante planeta Symbion, um acidente científico leva a um mundo de insetos gigantes e funde o DNA de seus habitantes com de insetos. Toda a criatividade parece ter se esgotado aí, no entanto. As facções se resumiam ao “Reino Luminoso”, liderado pelo príncipe Dargon e o Domínio das Trevas do General Spidrax. Os bonecos vinham acompanhados de “aliados insetos”, e as figuras mais caras tinham bestas de montaria, com pelos de verdade. Infelizmente, Sectaurs contou com apenas cinco episódios de animação para divulgar a linha... e foi condenada ao esquecimento.


4 - Inhumanoids (Hasbro, 1986)






Em termos de conceito, Inhumanoids é até normal: de um lado, um grupo de cientistas, a Earth Corp, tentando salvar o ambiente com a ajuda dos misteriosos Mutores. Do outro, malignos monstros que estavam aprisionados no centro da Terra até que nossa expansão desenfreada os libertou, os Inumanóides. Mas a execução...


Os Inumanóides e os Mutores são figuras decentes para a época. São os cientistas da Earth Corp que fazem a série entrar aqui. Jamais haverá uma linha com proporções tão estranhas e disformes quanto essa, com corpos gigantescos e cabeças minúsculas que fariam Rob Liefeld sentir vergonha alheia.

3 - The infaceables: Mystic Warriors of Change (Galoob, 1984)




Nos anos 80, havia uma abundância de bárbaros parrudos nas prateleiras das lojas de brinquedos. Mas poucos eram tão estranhos quanto os Infaceables, bonecos com rostos de látex que, através do poder mágico do vácuo, “se transformavam em bestas”. O efeito era mínimo a época e os poucos Infaceables que resistiram ao tempo mal conseguem manter suas formas “normais”. A linha contava com as forças heroicas do homem-leão Iron Lion contra o maligno conquistador (e homem elefante) Tembo, e tinha o melhor personagem de todos os tempos: o perverso Torto the Claw, um homem galinha (ok, ele na verdade é um homem peixe, mas o molde ruim faz ele parecer mais com uma galinha). Muito como He-Man, as proporções eram exageradas e por algum motivo, todos eles estavam fazendo joinha.


2 - The Mysterians (desconhecido, 1985)



O sucesso de Transformers levou a uma legião de imitadores, e nos anos 80 era impossível jogar uma bola numa loja de brinquedos sem acertar algum robô que virava alguma coisa. Com todas as boas ideias tomadas por outras marcas, os enigmáticos Mysterians eram robôs que viravam... formas geométricas. Achar qualquer informação confiável sobre esses seis robozinhos é quase impossível. Como diz o nome, são um mistério.  Mas há de se questionar o que leva alguém alguém a fazer uma linha de robôs que viram... Nada.


Por outro lado, em tempos recentes tivemos robôs que viram letras e números...

1 - Rocks&Bugs&Things (Ideal, 1985)



O que eu não pagaria para estar na reunião de conceito que criou essas coisas...


Como muitas linhas na época, Rocks&Bugs&Things tinha duas facções em conflito: as Rochas e os Insetos, lutando para devorar as Coisas. As Rochas eram monstros  que se disfarçavam como pedras, e que se abriam para devorar suas presas com o apertar de um botão. Os Insetos eram, bem, insetos (e dois aracnídeos) que revelavam uma segunda face com o apertar de um botão. E as Coisas eram os pequenos Mordles, duendes de borracha cujo único destino no mundo era ser devorados por seres além de sua compreensão.

A linha durou pouco, mas a Ideal parecia ciente do quão pequena ela era por si só: o comercial perguntava quem poderia salvar os Mordles dos monstros terríveis? Robôs? Soldados? Heróis? Descaradamente, a Ideal deixava claro: Rocks&Bugs&Things era pra ser usada com os bonecos da concorrência.

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