terça-feira, 22 de novembro de 2011

Hanamachi: Impressões

Neste fim de semana, pela primeira vez Joinville teve um evento de animação japonesa, o Hanamachi, e preciso dizer: fiquei surpreso. Não é muito segredo o fato de que eu achava que a organização do evento (em sua maioria conhecidos meus) parecia estar um tanto precipitada - afinal, quando o grupo havia confirmado a data ainda não tinham confirmado o espaço ou  a programação.

Mas no final das contas, de alguma maneira eles conseguiram fazer tudo dar certo, sem dúvidas devido a imensa dedicação - e muitas horas de sono perdido. Tudo muito organizado, um movimento invejável para a primeira edição de um evento de nicho, e surpreendentemente, pelo que eu vi, nenhum tumulto. 

Tive a chance de encontrar pessoas que não via a muito tempo, comprar algumas coisas legais para minha coleção (e que devem dar as caras em um Juntas Soltas quando eu conseguir gravar novamente) e obtive um breve entrevista com o dublador Waldyr Sant'anna, ninguém menos do que a primeira voz brasileira do Homer Simpson - devo postar a entrevista ainda esta semana, se nada me impedir.

Meus parabéns a organização do Hanamachi, e que ano que vem seja ainda melhor!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Substitutos Ruins: Agente Americano.

Mais um substitutos ruins, dessa vez com o Agente Americano - aquele cara de uniforme preto que tomou o lugar do Capitão América por um tempinho... Então conheçam o horror que é John Walker, vulgo Jack Daniel, o Super Patriota, Agente Americano, Capitão América, ou qualquer nome patrótico que ele está usando nesta semana. Esse texto é um pouco mais... sóbrio, assim por dizer, pois o retirei da minha monografia e dei uma mexida.


Ou seja: ele se veste como um
rejeito  barato de Judge Dredd
Quando Rogers abandonou a identidade do Capitão América na década de 80, o governo americano passou o cargo para John Walker. Criado em 1986 por Mark Gruenwald, o personagem já havia se envolvido com o Capitão América antes de assumir o papel em 1987. Em sua primeira aparição, em Captain America vol. 1 #323, de novembro de 1986, Walker usava o título de “Super Patriota” - e um uniforme que faz o de Rogers não parecer patriótico.

Irmão de um piloto de helicóptero falecido no Vietnã, Walker se alistou no exército americano para honrar a memória do irmão. Dispensado com honras do serviço militar, Walker buscou uma outra maneira de servir ao país através do grupo criminoso A Corporação, que lhe deu força e agilidade sobre humanas. Endividado, Walker cria uma identidade heróica como o Super Patriota, financiado por várias corporações, e para criar uma imagem como o verdadeiro herói americano, organiza um comício para criticar o Capitão América – que já estava posicionado contra o governo e as políticas externas e internas dos EUA.

Ou no caso da roupa original, um boneco de ação de R$ 1,99
Durante o comício Walker é atacado por um grupo de fãs do Capitão América auto intitulados Buckies – após derrotar os Buckies, o Super Patriota desafiou Rogers,alegando que o povo americano tinha o direito de decidir quem realmente representava a América. Em que ninguém além de Walker soubesse, o ataque dos Buckies havia sido uma fraude, armada para pintar o Super Patriota como o verdadeiro herói, enquanto o Capitão pareceria um covarde incapaz de aceitar criticas[1].

Quando Rogers abandonou o cargo, Walker foi indicado para servir como o novo Capitão América pela Comissão de Assuntos Super Humanos. Sem que Walker estivesse ciente, o presidente da comissão, e vários outros integrantes da mesma, eram aliados do Caveira Vermelha, em um complô para sabotar a imagem do Capitão América original, e para colocar alguém mais facilmente manipulável no lugar.

Embora Walker se esforçasse para seguir o modelo deixado por Rogers, sua visão mais reacionária se refletia nos métodos mais violentos: quando seus ex-companheiros Right-Winger e Left-Winger foram capturados pelo movimento ultra conservador dos Watchdogs, Walker matou vários membros do movimento, e ao descobrir que os dois haviam sido os responsáveis pelo vazamento de sua identidade secreta, deixou os ex-companheiros para morrer em uma explosão[2].

Durante todo o período de publicação do personagem – que ainda está ativo nos quadrinhos, atualmente como coordenador do super-grupo Thunderbolts – Walker trabalhou ou para o governo americano, ou para empresas. Apesar da comissão ter sido exposta como agentes do Caveira Vermelha, Walker manteve-se leal ao órgão do senado, mesmo sem garantias de que a nova comissão estava livre de influências alheias.

Quando Rogers voltou a ser o Capitão América, Walker assumiu uma nova identidade como o Agente Americano, que foi abandonada em Mighty Avengers #35, de 2010, quando Walker ficou paraplégico após um confronto com o vilão Nuke. Enquanto o Capitão América original é patriótico, porém crítico do seu país – e muitas vezes posicionado abertamente contra – Walker representa uma outra forma de patriotismo: o nacionalismo ufanista, desprovido de razão crítica. Ao longo de seus 25 anos de publicação, Walker se recusou a cogitar a possibilidade do governo estar errado, e em suas primeiras histórias como o Capitão América, quase serviu como um peão do Caveira Vermelha justamente por esta falta de senso crítico. Porém esse caráter de crítica ao patriotismo cego foi atenuado quando passou a ser escrito por outros autores além de Gruenwald.

[1] Captain America vol. 1 #323, novembro de 1986
[2] Captain America #347, 1988

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Action Comics #1 vai a leilão

Segundo o portal de entretenimento da Band, um exemplar de 1938 da revista “Action Comics” com a primeira aparição do Super-Homem está à venda na internet desde sexta-feira, dia 11, em um leilão que será finalizado em 30 de novembro.

Segundo a empresa Metropolis Collectibles and Comic Connect, trata-se de uma revista que ficou famosa por ter sido roubada em 2000 e recuperada algum tempo depois. O último proprietário da valiosa edição desembolsou US$ 150 mil (R$ 261,4 mil)para comprá-la, o valor mais alto já pago até hoje por uma história em quadrinhos.

As estimativas do preço final do leilão são ainda mais altas e a expectativa é de que o exemplar possa ser vendido por até U$S 1,5 milhão (R$ 2,61 milhões).

R$ 2,61 milhões em uma HQ? Ao mesmo tempo que soa completamente absurdo, é um tanto compreensível quando se trata de uma revista de 1938, completamente preservada. O mercado de colecionadores é uma coisa bastante curiosa, com uma flutuação de preço extrema que é afetada por questões que vão desde a raridade e a relevância da edição em questão até fatores mais exotéricos como local e ano de impressão ou produção. 

Mas se tratando da Action Comics #1, é de se entender a supervalorização: trata-se tão somente da primeira revista de super-heróis do mundo, e tranquilamente a edição mais importante da história dos quadrinhos. Tendo dito isso... mesmo que eu tivesse toda essa grana, jamais gastaria US$ 1,5 milhão em uma revistinha - se eu fosse gastar tanta grana em uma coleção, usaria para comprar um monte de Transformers antigos, como Sky Saber, Overlord e Black Zarak, cujos preços no mercado de segunda mão (vulgo ebay) ultrapassam facilmente os US$ 1.000.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Aurora Comics em edição encadernada

A revista Aurora Comics # 1 será lançada no FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, para comemorar o segundo ano do grupo de quadrinhistas baianos. A edição encadernada terá  144 páginas e custará R$ R$ 35,00.

A edição faz um apanhado das seis primeiras histórias publicadas no site Aurora Comics. São tramas situadas entre a realidade e a fantasia, que prometem agradar quem gosta de aventura medieval e super-heróis em um estilo mais adulto.

Em Sob a luz da aurora, um assassinato na capital São Paulo mobiliza um poderoso grupo de mercenários composto por ex-policiais de elite. Em meio a isso, está o "Prego", um caçador de recompensas no encalço do misterioso assassino.

Crepúsculo de um tempo esquecido mostra o reino esquecido de Athuskínia, um lugar de paz, em que seus habitantes viviam tranquilamente. Porém, uma nuvem negra surgiu, ocultando uma grande ameaça conhecida como "O Aríete Negro". Para tentar deter o inimigo estão Kronomir, um guerreiro versado nas artes místicas, e seu filho Boltir.

Já Uma nova vida se passa no bairro oriental de San Francisco, um local repleto de lendas e boatos. Enquanto seus moradores e visitantes dão seguimento às suas vidas, nas sombras os criminosos tentam manter suas atividades ilícitas longe dos olhos da polícia. No entanto, existe alguém mais furtivo que pode desequilibrar tudo isso. Alguém que traçou um novo objetivo e, consequentemente, uma nova vida.
As informações são do site UniversoHQ.

Tenho que admitir que não conheço nada sobre os quadrinhos em questão, mas é muito agradável ver o lançamento de uma coleção de produções nacionais, em um mercado que infelizmente tem pouca produção em termos de Quadrinhos fora do circuito Jornal/Infantil/Underground. Vale uma olhada, e caso a coleção de as caras por aqui, certamente vou dar uma checada. Até lá, vou ver o que acho no site.


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Homenagem a Carl Sagan


Bem, hoje seria o aniversário de 77 anos do astrônomo Carl Sagan, e em homenagem ao homem dos bilhões e bilhões, recomendo o "quadrinho" do blog Ninjerktsu,"Carl Sagan and his fully armed spaceship of imagination", mostrando Sagan em uma batalha estelar contra as forças da pseudociência, representadas pela espaçonave astrologia, comandada pelo capitão Leo - armada com lasers homeopáticos e escudos movidos a moto perpétuo, a nave não é párea para Sagan e sua combinação de evidência, pensamento racional, e métodos científicos. Para quem aprecia o bom astrônomo sorridente, vale o link, mesmo que pelas risadas.

O site também tem um quadrinhos sobre ninjas especializados na arte de serem canalhas, e que deve garantir algumas risadas.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Manual de Instruções para a vida


Esse é um post meio diferente: enquanto o meu foco geral neste blog é entretenimento, esse é um vídeo mais intelectual, que serve para exemplificar a minha opinião de que animação pode ser usada tranquilamente como uma mídia para conteúdos mais profundos; neste caso, se trata de uma parceria entre os vloggers ingleses QualiaSoup e TheraminTrees, a respeito da maneira como idéias pré concebidas - e que idéias deve ser óbvia para quem ver o vídeo - segregam e excluem, e como é não apenas possível mas desejável desenvolver seu próprio 'armarinho' ao invés de depender de um manual de instruções para determinar sua vida.  Recomendo os dois canais.

domingo, 6 de novembro de 2011

Idéias idiotas que deram certo: Nightbeat

Tem alguns personagens que conseguem fazer o improvável: cruzar aquela tenue e mal definida linha entre o incrivelmente legal e o incrivelmente idiota fazendo o caminho na direção contrária: ao invés de exagerarem na tentativa de serem legais e terminarem simplesmente idiotas, começam com uma idéia tão inacreditavelmente não funcional que é levada tão a fundo, que eles transcendem sua própria idiotice e ficam legais ao extremo. Este post é sobre um desses casos: Nightbeat, o transformer detetive.


Vejam bem: a ideia de um transformer detetive em si não é ruim - o que torna o Nightbeat algo idioticamente legal é o fato de que ele é um detetive ao estilo Sam Spade, seguindo todos os tropos da ficção noir - em uma franquia sobre robôs gigantes em guerra. Enquanto o restante dos Autobots e Decepticons se empanham em lutar uns contra os outros, Nightbeat enfrenta mafiosos e outros criminosos "normais" - muitos deles alienígenas, sim, mas ainda assim, meros criminosos.



E seguindo o estilo padrão dos detetives noir, Nightbeat faz isso em "grande estilo" : não são raras as instâncias do detetive robótico usando um sobretudo e um fedora - o que levanta a pergunta de onde ele arranjou essas peças de roupa -, narrando suas investigações no maior estilo Sam Spade, ou interrogando um informante ou um comparsa do seu suspeito. O inglês Simon Furman conseguiu de alguma maneira através dessa intensa idiotice chegar a um dos Transformers mais legais na história da franquia - e realmente não entendo como.

Nightbeat tem uma outra coisa idiota, e cuja única salvação foi ser ignorada por completo: ele pertence a uma sublinha de Transformers chamada Headmasters - e o que isso significa, você pergunta? Isso quer dizer que a cabeça dele era um robô separado dele - ou no caso do Nightbeat, por ser um Headmaster da Hasbro, e não da Takara (os headmasters da Takara são cybertronianos do planeta Master ou humanos controlando  um Transtector, um corpo vazio), um nebulano, um alienígena similar a um humano usando uma armadura especial para se fundir a um transformer. No caso do Nightbeat, seu parceiro Headmaster era o também detetive particular Muzzle.

Nós mal o conhecemos... sejá quem for.
VSTAP: o barulho de um ótimo personagem morrendo

Nightbeat recentemente encontrou seu fim nos quadrinhos publicados pela IDW: durante uma de suas investigações, começou a dar conta de imensos lapsos de memória, e suas ações "esquecidas" lhe deixaram altamente desconfiado. Suspeitando que estivesse sendo manipulado por alguém, pediu que Hardhead lhe acompanhasse ao planeta Gorlam Prime - que havia visitado várias vezes sem lembrar - lhe instruindo a mata-lo caso ele agisse de maneira suspeita. Lá caiu sobre o controle do cientista louco decepticon Jihaxus, e sem jamais descobrir a verdade, foi executado pelo amigo.

O mesmo molde do Nightbeat foi usado para fazer a Headmaster Junior Minerva, apenas mudando as cores - e fazendo do detetive particular NO ESPAÇO uma patricinha humana controlando uma "ambulância".