Ao longo dos seus 17 anos, a franquia dos filmes dos X-Men oscilou do bom ao horrendo, e em sua zona mais baixa estavam os filmes do Wolverine. Circulando pelas três narrativas mais comuns ao gênero de super heróis- histórias de ação puramente escapistas, alegorias sócio-políticas e discussões filosóficas cujos personagens são meros adereços da narrativa - seria de se esperar que a peça final do Logan de Hugh Jackman repetisse os erros dos prévios "Wolverine" e "Wolverine: Imortal".
Mas "Logan" vai por uma área inexplorada para os filmes de quadrinhos. Abraçando seu material de origem ao mesmo tempo se despe da imaturidade do mesmo, o filme de James Mangold ousa e nos oferece um drama de personagem pesado cujos elementos fantásticos servem de pano de fundo para uma história humana.
As discussões sobre preconceito e bioética que marcam os filmes dos X-Men continuam lá, mas são adereços para uma história que pertence mais ao cinema arte do que ao cinema pipoca dos filmes de quadrinhos: o drama sobre um homem que rejeita seu passado e suas responsabilidades em nome de uma falsa sensação de tranquilidade, perturbada com a entrada da filha que ele não sabia que tinha, gerada sem seu consentimento.
