Mostrando postagens com marcador Entrevista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Entrevista. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Entrevista: Thew/Barutazaru

Bem, temos mais uma entrevista aqui na Fortaleza da Nerditude, e enquanto as outras foram com profissionais da animação ou da ilustração, esta é um tanto diferente: o entrevistado da vez é um fã que obteve certo sucesso produzindo vídeos online. Responsável pelo canal Barutazaru no Youtube, o britânico Matthew Adams, 28 anos, tem pouco mais de quatro mil seguidores através de seus vídeos da série Thew's Awesome Transformers Reviews, dotados de um humor excentrico e ágil, e que em poucos minutos conseguem informarm um bocado sobre vários produtos de Transformers (sim, eu sou um fanboy imenso da linha).

Além dos vídeos, Thew trabalha com marketing, o que tem comido boa parte do seu tempo para produção dos vídeos, e fez parte de algumas bandas de metal pesado - algumas músicas integram seus vídeos, "torturando" os ouvidos dos espectadores. A sua produção foi uma das coisas que inspirou o meu Juntas Soltas, embora o estilo, e honestamente, a qualidade sejam bem diferentes - Thew simplesmente tem mais experiência do que eu na edição, o que resulta em algo muito mais elaborado.

A quanto tempo você coleciona Transformers?
Bem, eu amava Transformers quando eu era criança, que nem todo mundo, e juntei uma coleção modesta na época, mas foi só isso por tipo, 15 anos. Eu não tive muito interesse na trilogia do Unicron ou em Beast Wars, e não estava realmente prestando atenção, então Classics e Alternators quase me passaram despercebido. Em 2007 eu encontrei um Rodimus e um Ramjet Classics numa loja, e fique tipo "Oh, legal, Transformers são bons de novo", e foi basicamente assim que eu comecei a colecionar!


Em que ponto você percebeu que era um colecionador de brinquedos, e não só um cara com um monte de brinquedos?

Foi praticamente naquele momento! Eu levei os dois pra casa, peguei minha velha coleção, pus eles numa prateleira e peguei mais alguns. Eu tive a sorte de pegar o finalzinho de Classics, por que os primeiros bonecos que eu ecomprei foram supreendentes - Jetfire, Starscream, Alternator Swindle, e a Kate (namorada) até me arranjou o Laserwave de Binaltech. Foi uma época boa!

Quando você decidiu fazer reviews em vídeo? 
Não me demorou muito para pegar o bicho dos vídeos. A banda não estava fazendo nada, e eu precisava  fazer algo barulhento e irritante, então eu peguei uma webcam fuleira e mexi um pouco fazendo comentários sarcásticos sobre brinquedos legais sob o som de metal. Era, e ainda é, divertido pra caralho.

Como é o seu processo de produção? Quanto tempo leva em média cada vídeo para produzir, editar e tudo mais? 
O processo de produção em geral é bem rápido - eu provavelmente levo uma hora para gravar, dependendo de qual gimmick de stop motion idiota eu decidi usar naquela vez. A edição leva umas três, quatro horas, mas isso é legal, por que é a melhor parte. O dificil é decidir o que fazer pra começo de conversa. Eu não gosto de me repetir muito (embora eu o faço um monte) e eu tento fazer meus vídeos levemente bons ao invés de dizer "esse brinquedo é legal, aqui vai um pouco de metal" toda vez, então eles geralmente ficam rolando na minha cabeça por tipo um mês antes de eu gravar. Além disso, eu nunca tenho tempo hoje em dia, o que explica eu ter um monte de brinquedos realmente legais parados sem vídeo pela maior parte do ano. Eu quero dizer, alguém me arranjou um SDCC Prime Optimus Prime esse ano, o que era um exclusivo da Comic Con na época, e ele provavelmente vai estar no comércio essa semana, e eu ainda não avaliei a coisa maldita. O que eu estou dizendo é, a Hasbro deveria me dar um emprego fazendo isso, para que eu não tenha que gastar tempo válido para vídeos no trabalho estúpido.
 
Você se inspira em outros vloggers?
Ver outros outras reviews sempre me deixa com vontade de fazer mais vídeos! Ray (ilovemess) definitivamente me deixa inspirado para fazer vídeos por que ele se diverte tanto fazendo. Meus vídeos tendem a ser mais enrolados quando eu andei assistindo aquele cara. Costumava ter um reviewer fascinante chamado VanHorso que era totalmente e insanamente hilário, mas ele abandonou o 'Tube de maneira um tanto espetacular alguns anos atrás. Ele é o motivo de eu dizer "yes indeed" tanto, e meus vídeos são bem mais bobos depois de uma dose do Horso.

Além de Transformers, que outros hobbies você tem? Eu sei que você esteve em uma banda, mas além disso? E como anda a banda?

Bem, eu estou em uma banda nova no momento, é bem inicial e não temos um nome ainda, mas está sendo bem emocionante! Além disso, eu me sento um monte e as vezes eu ando.

Qual o seu Transformer preferido na coleção?
Eh, eu não sei! Todo boneco é meu favorito por um tempo. Eu acabo de comprar o Powerglide do Dark of the Moon, então ele é o meu preferido por ora. Mas como um todo, o meu favorito é provavelmente o Astrotrain de Geração 1.

E qual você diria que é sua maior decepção?

Oh Deus, Universe Ironhide, sem dúvida. Faz o que, tipo, três anos? Eu ainda não superei. Eu adoro o Ironhide, e ele simplesmente não merece um boneco vagabundo daqueles. Eu provavelmente vou gastar  £70 no Weapon Specialist da iGear para compensar. Aquela coisa parece leeegaaalll.



Alguém já lhe reconheceu pelos seus vídeos?

Na real não! Eu já encontrei pessoas na vida real que eu conversei online, mas não é a mesma coisa. A Kate me mencionou para um amigo dela uma vez, e acontece que o filho dele era um fã meu, e isso foi bem fora do comum.


A quanto tempo você tem cultivado a sua barba?

Desde sempre! Eu comecei a crescer ela quando eu tinha tipo, 14, para parecer com o baixista do Machine Head. Barbas são super fodonas, e além disso, eu sou muito feio sem ela.

Da sua infância, qual o seu personagem e ou brinquedo favorito?



Eu sempre favoreci os 'Cons! Eu sempre achei que Astrotrain, Thundercracker e Skywarp eram os mais legais. Em termos de brinquedos eu amava o Blitzwing e o Astrotrain (denovo), mas nunca tive nenhum dos seekers, então eu aproveitei os Predators quando eles deram as caras. O Stalker foi o número um por um tempo.


E quanto aos desenhos? 

Honestamente eu não vi muito dos desenhos. Obviamente eu adorei o desenho de G1 pelo que ele é, mas fora isso, eu só vi Animated e um pouquinho de Robots in Disguise.

E as linhas de brinquedos?

Bem, sendo um prepotente homem de classe média baixa que cresceu nos anos 80, minhas duas coisas favoritas são lembrar de coisas que eu gostava quando criança, e ser paparicado. O que eu estou dizendo é que eu adoro Classics, e que Star Wars Crossovers pode se lascar por que Star Wars não é exatamente como eu me lembro, e minha opinião é tão importante quando ela é identica a de todo mundo.

Como colecionador e fã, qual a sua opinião sobre os lançamentos pendentes, como a linha de Prime?

No momento eu estou incerto quanto a Prime, mas aquele Bulkhead parece excelente, e o Skyquake está saindo muito bem! Alguns dos outros parecem um tanto questionáveis, como aquele Soundwave que não parece muito bom, mas eu esotu bem interessado para ver como vai funcionar. Eu fiquei espantado como o quão rápido DotM se apagou.

Se você pudesse fazer com que a Hasbro lançassem UM personagem em molde masterpiece totalmente novo, qual seria?

Um dos Triple Changers!! Eu quero ver um Triple Changer gigante, perfeitamente executado e que pareça imaculado em cada forma e se transforme de maneira genial! O que mais me impressionaria seria se eles fizessem o Broadside direito, mas aí eu não ia querer, então Blitzwing, por favor Hasbro!

Você mora com a sua namorada, certo? Ela reclama da sua coleção?

Eh, pior que não! Ela em geral dá bastante suporte, mas ela encara um pouco quando eu chego em casa com mais um maldito robô. Ela gosta de comprar coisas bestas também, então nós dois somos um tanto ruins nisso.
E a sua família, já reclamaram de você ainda comprar brinquedos?
Nem um pouco! Eu acho que eles acharam um tanto estranho no começo, especialmente quando pessoas começaram a me mandar brinquedos, mas eles me dão muito apoio. Meu irmão sempre me liga para falar do meu vídeo mais recente.
Por último, mas não menos importante: você tem algo a dizer para os seus fãs brasileiros? Você fazia alguma idéia de que tinha fãs no Brasil?

Eu estou surpreso e animado de saber que eu tenho espectadores na América do Sul! Acho que só quero dizer oi, e agradecer que vocês gostam dos meus vídeos bobos!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Entrevista: Waldyr Sant'anna, o primeiro dublador do Homer

Não lembrei de pedir fotos, tive de usar a da divulgação do evento.
Com algum atraso, aqui vai a entrevista que realizei no último domingo com o renomado dublador Waldyr Sant'anna, a primeira voz brasileira do Homer Simpson, e de inúmeros outros personagens em seus 53 anos de carreira - incluindo o Capitão James T. Kirk, a primeira voz do vovô Max Tennyson em Ben 10, o narrador do surreal Sheep na Cidade Grande e o pior super herói de todos, Aquaman, no desenho dos Super Amigos. Tive a chance de fazer esta brevíssima entrevista com Waldyr durante o primeiro Hanamachi, onde foi palestrante convidado.  Confiram a entrevista abaixo!



Antes de qualquer coisa, o que achou do evento?

Olha o sul me traz muitas boas recordações, e gratas surpresas. Uma grata surpresa foi participar desse lançamento do evento aqui de vocês. Mais uma vez eu parabenizo Santa Catarina, o Sul do nosso país, que dá um exemplo de ordem, de uma juventude sadia, que pensa sadia e age sadiamente, meus parabéns para vocês.

Como foi a construção da voz do Homer Simpson?

Foi logo no ínicio das gravações, quando os produtores ainda estavam procurando identificar as vozes ideais aqui no Brasil. E eu dirigia a dublagem na casa onde foram fazer os testes, e no momento em que eu auxiliava um dos candidatos a encontrar a forma ideal de colocar a voz do Homer, entenderam que eu é que faria a voz do Homer.

Você se inspirou em alguma pessoa para fazer a voz do Homer?

 Eu me basei no original, era o que o distribuidor pretendia, fazer em cima do tom original e foi o que ficou.

E como é o reconhecimento pelo trabalho como dublador aqui no Brasil?

Olha, o reconhecimento é tão grande que motivou a empresa que eu estou cobrando os direitos autorais (a Fox, processada por não pagar os royalties pelos DVDs da série - nota do autor), essa empresa entendesse que chegou a hora de um acordo. Isso é a gratificação por todas essas horas de trabalho.

Então existe chance de você voltar a dublar o Homer?

É isso que nós estamos acertando, a minha volta a dublagem desse personagem e outros detalhes que estão em cogitação. E acredito que mais um ou dois meses cheguemos a um bom termo.

E acontece das pessoas reconhecerem a sua voz como um de seus personagens?

Mas isso a todo o instante, são 53 anos fazendo dublagem, seja através do Homer Simpson ou outro personagem qualquer, e o reconhecimento é automático.

Em casa, o senhor é comparado com o Homer?

Não, dificilmente, até porque são comportamentos e atitudes diferentes, não há essa comparação do pai e o marido com o Homer Simpson, mas todos gostam do trabalho como o Homer.

Tem algum personagem além do Homer pelo qual você nutre um apreço especial?

Inúmeros, em 53 anos de atividade eu teria uma série de nomes para citar, uma série de exemplos para apresentar, é muito difícil comentar, mas todos eles me gratificam profissionalmente. Essa é que é a grande verdade.

Tem alguma coisa que você gostaria de dizer aos fãs e a organização do evento?

Agradecer, não me canso de agradecer a atenção, não me canso de agradecer o carinho de vocês e esse acompanhamento que vocês fazem do meu trabalho, que não é o meu trabalho, é o nosso trabalho artístico através da dublagem, que preserva inclusive o nosso idioma e leva tanta alegria a tanta gente.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Uma breve entrevista com Jorge Luiz Calife

Jorge Luiz Calife, jornalista e escritor de Ficção Científica, marco da FC Brasileira. Trabalhou de 1985 até 1993 no Jornal do Brasil, onde foi um dos poucos jornalistas que teve a oportunidade de entrevistar tanto os Astronautas dos ônibus espaciais da NASA, e os Cosmonautas da estação espacial Salyut 7, entre varias outras experiências como jornalista científico. Escreveu a trilogia padrões de contato, cujo ultimo livro, linha terminal, recebeu o prêmio Nova.


Calife é bastante conhecido como "o brasileiro que inspirou Arthur C. Clarke a escrever 2010", alcunha que, embora muito honrosa, não faz juz ao total de sua obra.

A seguinte e curta entrevista foi realizada por e-mail em outubro do ano passado. Qualquer problema de qualidade da mesma é culpa minha, e não de Calife.


1 O que você tem a dizer para aspirantes à jornalistas ou à escritores de Ficção Científica?

Eu sempre gostei de escrever, de contar histórias, tanto histórias reais, como de fantasia, daí que o jornalismo é a profissão ideal para mim. E tive a felicidade de crescer num dos períodos mais estimulantes da história da humanidade, quando a ficção virou realidade. Acho que o segredo é fazer aquilo que se gosta e procurar ter uma boa cultura geral. A maioria dos estudantes de jornalismo acha que a faculdade vai lhes dar tudo. Não, a faculdade só dá uma formação básica. Você tem que se especializar em algum assunto que goste, conhecer pelo menos uma língua estrangeira. E se quiser escrever ficção aprenda tudo o que puder sobre o tema de sua história. Se quiser escrever sobre a mudança climática global leia todos os livros que encontrar sobre o assunto. E aproveite o momento em que estamos vivendo, onde é mais fácil de publicar do que jamais foi.


2. O senhor é um dos maiores nomes da ficção científica brasileira, se não o maior. Como você avalia o cenário da FC brasileira? Você disse que não tem lido muita FC atualmente, isso é por falta de tempo, interesse, ou por não ver mais tanta relevância no genero?

A FC brasileira vive o melhor momento da sua história. Há várias editoras publicando novos autores e novas antologias de contos são lançadas todo o ano. E tem a internet onde os novos autores também podem mostrar seu trabalho. Na época em que eu comecei não tinha essa facilidade toda e a gente batia de porta em porta durante anos até ter uma ooportunidade. Atualmente eu me dedico mais ao jornalismo, a realidade ficou tão interessante quanto a ficção e a vantagem da realidade é que fazemos parte dela.


3.Alguns dos  autores mais antigos da FC, como Asimov, Clark e Stapledon tem uma visão um tanto positiva do desenvolvimento da humanidade, mesmo que seja, no longo prazo, fadada ao desaparecimento. Como você vê o futuro?

Eu cresci numa época em que o futuro parecia negro. Estados Unidos e União Soviética acumulavam arsenais nucleares cada vez mais potentes e muitos achavam que o mundo ia explodir a qualquer momento. Mas contrariando as espectativas a guerra final não aconteceu. Hoje EUA e Rússia, os antigos rivais da guerra fria construiram juntos a Estação Espacial Internacional, a maior obra de engenharia de todos o s tempos. E a China também vai participar dessa cooperação no espaço. Há muitos problemas, mas a história nos convida a sermos otimistas, como os grande mestres do passado.


4. No mesmo teor da anterior, muitos da geração X de autores (em especial Gibson e Card) , nos anos oitenta, assim como alguns dos velhos nomes (Dick e Heinlein,  pra citar os que me vem em mente) tem uma visão mais cínica do futuro. Esse cinismo acabou tendo muito respaldo nos anos 90, dando uma enfase nas falhas da humanidade e nos problemas da tecnologia, em especial no movimento cyberpunk. Como, em sua opinião, se explica essa visão de que a ciência serve mais como instrumento dos poderosos, em léu do bem maior?

Essa visão da ciência a serviço do poder vem da desilusão provocada pela Segunda Guerra Mundial e a guerra do Vietnã. Mas a tecnologia está a serviço de todos, não só dos poderosos. Sites como o wikeleaks revelam os segredos que os governos querem esconder, graças a internet e aos micro-computadores e é essa democratização da tecnologia, que é só uma ferramenta, que serve ao bem como pode servir para o mal que contem a chave para um futuro melhor. Algo que os pessimistas, que só enxergam nuvens negras no horizonte não conseguem ver.

5. A FC atualmente tem um foco muito maior no transhumanismo, e na idéia de que a internet nos trouxe uma sociedade pós escassez no meio digital.  Essa ideologia, de que a ciência pode melhorar o homem, e de que a internet pode antender nossas necessidades intelectuais, tem respaldo científico, a seu ver?

A resposta anterior já abrange essa pergunta.


6. Como você avalia as relações entre cientistas e leigos atualmente? Existem falhas na comunicação por parte de cientistas, ou na recepção pelos leigos?

O cientista é financiado pelo governo, em sua maioria, daí que sua relação com o público geralmente depende dos canais oficiais. Mas muitos tentam se aproximar do público , explicar o que estão fazendo, e nunca houve tantos cientistas envolvidos em projetos de divulgação da ciência como hoje. Afinal, sem verba não tem ciência, e se o povo não eleger políticos que apoiem a pesquisa a ciencia acaba.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Entrevista: Marcelo Matere

Bem, hoje temos uma postagem muito especial: uma entrevista com o desenhista paulista Marcelo Matere, um dos responsáveis pelo artwork da linha Transformers, e que também fez trabalhos para outra linha de brinquedos da Hasbro - G.I. Joe, os antigos Comandos em Ação. Matere também trabalhou com quadrinhos de Transformers, incluindo "A Stunticon Job", HQ exclusiva da Botcon (convenção oficial de Transformers) deste ano. O trabalho de Matere pode ser conferido no site http://marcelomatere.artworkfolio.com/